Tecnologia e música sempre andaram de mãos dadas. O fonógrafo permitiu ouvir canções sem precisar ir a uma apresentação, o rádio possibilitou que obras fossem disseminadas de um jeito antes inimaginável e a música eletrônica nem seria possível sem as novidades tecnológicas. A internet também tem impacto nisso: o download balançou a indústria musical nos anos 1990 e 2000. Mas, agora, outro sistema se populariza: o streaming, ou a reprodução de música pela rede. Isso significa ter acesso a qualquer canção de qualquer lugar. E o maior serviço do gênero finalmente desembarca no Brasil, o Spotify.

“A gente não pode determinar que vai ser o futuro da indústria musical. As pessoas querem que esteja tudo disponível de graça, falta um pouco de consciência também. As pessoas não entendem que o artista sobrevive daquilo, que o músico sobrevive das músicas que faz. Ninguém quer pagar pela música que consome, ninguém quer pagar para ir a um show, então é complicado”. Bárbara Eugênia. Foto: Marcos Villas Boas/Divulgação

Após meses de suspense, o Spotify chega por aqui oficialmente nesta quarta-feira (28). Criado em 2008, o programa está em 56 países pelo mundo, com 40 milhões de usuários ativos. Entre eles 10 milhões de assinantes do serviço premium, que pagam US$ 10 por mês e usam o serviço sem propagandas, além de poderem baixar as músicas das listas de reprodução nas quais estão cadastrados. Privilégios que o serviço gratuito não oferece. O app possui uma biblioteca com 20 milhões de músicas, em um total de 1,5 bilhão de playlists.

A reprodução de música pela internet aumenta a cada ano. Um balanço da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), com dados analisados em escala global, mostra que a receita da indústria a partir de plataformas digitais aumentou 4,3% no ano passado, chegando a US$ 5,9 bilhões, o que representa 39% do mercado fonográfico.

“O acesso é ainda um pouco deficitário. Acho que vai demorar para a gente entrar realmente nesta era de poder ouvir música em qualquer lugar, com uma internet legal. Mas, a cada dia que passa, mais pessoas têm um celular com 3G. Embora o Brasil ainda não seja privilegiado a ponto de ter essa internet para todo mundo usar. O público que compra música pela internet, apesar de tudo, ainda é bem restrito”. China. Foto: Pedro Escobar/Divulgação

Embora mais da metade (51%) do dinheiro da música ainda venha pela venda de CDs e vinis, a participação dos lucros originários de formatos físicos vem diminuindo. Em 2011, a proporção era de 60%. Contudo, para o músico pernambucano China, não se pode falar que o streaming é a redenção da indústria musical. “Não dá para apontar como uma salvação, mas é mais um caminho.” Ter os discos em mãos ainda encanta os mais saudosistas. “Sou colecionador de vinil, e tenho CDs, realmente gosto de ter o objeto. Mas nasci em 1979, o mundo mudou”, completa o artista.

Quando a brasiliense Diana Yukari foi estudar nos Estados Unidos, achou necessário assinar algum serviço de streaming. “Vale a pena porque tenho acesso a maior parte das músicas que gosto e que muitas vezes são difíceis de encontrar em outro lugar”, explica a estudante, que, desde março, paga US$ 10 por mês na assinatura do Google Play Music. “É bom também para descobrir canções novas”. Yukari não está sozinha. Segundo a pesquisa do IFPI, 46% dos usuários de plataformas digitais usam esse tipo de serviço para encontrar conteúdo novo.

Divulgação
A cantora Bárbara Eugênia disponibilizou, no ano passado, o disco É o que temos, pela plataforma de streaming Rdio, antes de lançá-lo em lojas. “O serviço é bacana porque você tem acesso a muita coisa, além de ser mais uma plataforma de divulgação do som do artista”, comenta.

“O streaming é uma porta para alguém chegar ao seu trabalho. O problema é que tem que pensar um modo de remunerar melhor quem faz o conteúdo. Se não houver músicos, não tem Spotify. Essa pessoa que gera o conteúdo é a mais importante, tem que ganhar melhor. A gente tá repetindo um processo de gravadora de anos atrás, não está dando um passo a frente. É só mais um intermediário nesse processo”. Lucas Santtana. Foto: Daryan Dornelles/Divulgação

O Spotify diz já ter pago mais de US$ 1 bilhão em direitos autorais desde que foi criado. Entretanto, alguns músicos contestam. Artistas independentes acreditam que não são contemplados. “Tem que haver um volume muito grande para a gente ganhar um mínimo de dinheiro. A não ser que os aplicativos cobrassem um absurdo, o que também tornaria inviável, porque o povo não paga”, reclama Bárbara Eugênia. O músico Lucas Santtana concorda. “Quem faz os conteúdos para os portais de streaming são os músicos, e a remuneração ainda é insignificante. Estão reproduzindo um procedimento que sempre existiu nas grandes gravadoras, há mais um intermediário na história e a gente não ganha nada”, reclama.

Entusiasta das novas formas de consumir música, China encontra também nas redes sociais outras maneiras de conhecer novidades. “O Facebook ou o Twitter acabam virando uma rádio, porque as pessoas vão compartilhando um som ali e você ouve enquanto trabalha, já que seu amigo postou lá e você quer conhecer”, explica. “Compartilhar é muito mais legal do que dar um like. Eu acho que dar um like deveria ser extinto”, brinca o músico.

Vitrine
Embora alguns dos mais conhecidos programas de streaming não estejam disponíveis no Brasil, como o Pandora ou o iTunes Radio, o país parece estar cada vez mais receptivo a esse sistema. Conheça outros serviços de reprodução de música pela internet disponíveis em terras tupiniquins:

»Spotify

Maior software de streaming do mundo, o Spotify conta com uma biblioteca de 20 milhões de músicas. Permite reproduzi-las e criar playlists gratuitamente, com anúncios entre as canções. A versão premium permite que o usuário faça o download para ouvir off-line, não tem comerciais e oferece uma qualidade maior de som (320kbps). Disponível para Windows, Mac, web, iOS, Android, Windows Phone e BlackBerry. Preço da assinatura: US$ 6 por mês (cerca de R$ 13).

»Rdio
Para quem procura descobrir novas músicas, o Rdio é uma boa opção, com um rebuscado sistema de busca por conteúdo novo. Também oferece playlists e opções de estação de rádio. A versão premium permite reproduzir músicas ilimitadamente. Um ponto interessante é que, se outros membros da família também quiserem se inscrever no serviço pago, o preço da assinatura cai pela metade para os novos usuários. Disponível para Windows, Mac, web, iOS, Android, Windows Phone e BlackBerry. Preço da assinatura: R$ 14,90 por mês.

»Deezer
Outro serviço popular no Brasil é o Deezer, que, além de fazer streaming das músicas, permite a sincronização com os arquivos de MP3 do seu dispositivo e também com as playlists criadas por outros softwares, como o iTunes, para que tudo seja reproduzido no app. Também é possível fazer o download do conteúdo preferido. Disponível para web, iOS, Android, Windows Phone e Blackberry. Preço da assinatura: R$ 14,90 por mês.

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