Dançar conforme a música: o vaivém de gêneros e artistas no Top100DJ da DJMag

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Dançar conforme a música: o vaivém de gêneros e artistas no Top100DJ da DJMag

Termina quarta-feira que vem a votação do Top100DJs 2015 da DJMag, ranking que tem de prestígio o mesmo que carrega de controvérsia. A disputa, que nunca foi um primor de lisura, põe no mesmo balaio gente (cerca de 30 mil nomes) de toda a EDM. Os que levam a contenda muito a sério acabam enxergando aí uma espécie de ‘Copa do Mundo’ de artistas e mesmo de gêneros, torcendo freneticamente e fazendo altas campanhas. O campeão da hora — bicampeão consecutivo, aliás — é o holandês Hardwell, representante do eletro-house. A vertente fez bonito ano passado: emplacou mais da metade do Top 10 e tirou, pelo menos por ora, a hegemonia do trance, que historicamente é o mais bem-sucedido da cena eletrônica.

Seria a derrocada do trance? Não necessariamente. “Tivemos longo período onde um gênero predominou mais, e outro predomina atualmente, numa expansão ‘global’ maior agora. O ‘dançar conforme a música’  continua desde o surgimento da votação, mas mudou quem põe a música: tratando-se da lista, é o mercado”, afirma Ban Schiavon, CEO da DJ Ban, escola e centro de música eletrônica. Trabalhar duro para cair nas graças do público votante é um caminho, segundo ele. “Popularidade é maior que qualidade, já que o mercado hoje é mais marketing.”

A coluna do Trance in Brazil tabulou todos os resultados de 2000 para cá e descobriu o óbvio: Tiësto, com três canecos seguidos e Top 5 desde 2002, é o campeão dos campeões — e tudo indica que não perderá o trono este ano, a despeito de ter largado o trance e abraçado o eletro-house. “O ‘Tiësto’ é uma empresa/marca muito grande. Deve ser legal dizer que ele estava na zona de conforto chegando vários anos em segundo ou terceiro lugar”, brinca Ban. “Um rei não perde sua majestade. Penso que ele partiu do zero novamente, atacando um novo público, mas ainda utilizando a ressalva dos que ainda o elegem”, ponderou.

Haverá mudança, sim, no segundo lugar geral: Armin van Buuren, cultuado embaixador do trance no mundo, terceiro mais bem votado nos últimos 15 anos e recordista de vitórias (cinco, quatro das quais consecutivas, um feito único), tem se mantido no topo e certamente tomará a posição de Paul van Dyk. Sua votação sempre expressiva muito provavelmente se dá pela estratégia de não se prender a estilos, alimentada por uma poderosa indústria — a gravadora Armada e seus subselos, o programa de rádio Asot, com suas concorridas turnês, e o giro pelos festivais. Em 2014, ficou com o ‘bronze’, atrás de Hardwell e Dimitri Vegas & Like Mike.

Quem se atém ao trance segue em declínio. O bicampeão Paul van Dyk, que há dez anos faturava o primeiro título, agora aparece em 38º. Mesma sorte tiveram outros figurões do gênero, como Markus Schulz (44º), Aly & Fila (28º) e até Above & Beyond (25º).  “Surgiu algo mais popular, a música eletrônica em si é mais popular, tal qual a abrangência da votação. Duvido, no entanto, que qualquer gênero popular hoje fique no páreo por tantos anos como o trance ficou”, observa Ban. De fato, a rotatividade na lista é alta. Em 2014, houve 24 estreantes, que escamotearam veteranos como Paul Oakenfold, Bob Sinclair e Benny Benassi. Para Ban, Oliver Heldens (que estreou no ranking ano passado já em 34º) merece ganhar. Se vai, são outros quinhentos.

felguk

As chances dos brasucas

Há quatro anos o Brasil é representado na tabela pelo duo carioca Felguk, formado por Felipe Lozinski e Gustavo Rozenthal. Eles têm investido em propaganda no Facebook para levar seus fãs — são mais de 600 mil — e o público-alvo dos algoritmos da rede do Tio Mark a votar. “O rank da DJMag é muito importante para os DJs, pois traz uma credibilidade mundial dentro do mercado da música eletrônica. Não é um ranking para disputar quem é o melhor DJ, mas, sim, quem são os mais populares do momento”, afirmou Felipe. “Estamos muito animados para este ano, acreditamos que novos nomes brasileiros estarão na lista desta vez, o que é muito legal para representação da música eletrônica nacional! Vamos, Brasil!”, completou Gustavo.

Ban, no entanto, é mais reservado. “O mercado brasileiro, mesmo com muitos expoentes, ainda estará em desvantagem”, atesta. “Pode, sim, incluir mais alguns nomes, já que um Tomorrowland foi realizado aqui, foi transmitido para o mundo todo e teve boa participação dos nossos irmãos. Dez dos nossos nomes mais populares certamente mereceriam entrar na lista se estivéssemos falando sobre esse modelo de votação. O fator ‘não ter critérios’ ‘ajuda’ os de lá como os de cá também. Não passa de um produto dentro do negócio”, explica. Como critérios, Ban sugere saber tocar, ser tocado no mundo todo, produzir, remixar, ser remixado e planejar a carreira, figurando nas maiores gigs. “Nesse modelo, minha lista se reduziria a dois nomes: Marky e Anna”, afirma.

Possível novo nome na lista, apesar de se manter low-profile em relação à enquete, é Felipe Wrechiski, que este ano está bombando no Beatport. Sua Atlas, cocriação com Jason Ross, ficou três semanas em primeiro lugar em trance, sendo uma das tracks mais vendidas da Anjunabeats nos últimos dois anos. Mas o que seria mais importante, a votação ou a parada? “Sinceramente, nenhum dos dois. Mas, se falarmos de um ponto de vista do mercado, acredito que o ranking da DJMag traz mais visibilidade para o artista, principalmente para monetizar mais em shows”, explica Wrechiski. “Sinto que o ranking segue o flow do mercado nos dias de hoje, como seguia há 15 anos, quando o maior requisito era ter talento.”

Gui Borato, Wrecked Machines e Anderson Noise também já representaram o Brasil (Noise foi listado por três anos). Até 16 de outubro, quando a revista anuncia os vencedores, sairão listas fake e outras quase fake, além de muito mimimi, principalmente por causa das denúncias de compra de votos. “Existem vários casos. Como a crítica ao Afrojack por pedir votos com modelos segurando iPad nas ruas… nós não gostamos de ficar julgando ninguém, cabe ao público escolher em quem votar, e cabe à DJMag fiscalizar a procedência dos votos”, colocou Fel. “Não acho ruim, contanto que não seja de uma maneira tosca!”, ponderou Wrechiski. “Acho totalmente normal. Afinal, qual a mídia que não joga de acordo com seus interesses (próprios e os do mercado)? Alguns artistas puderam anunciar ‘vote em mim’ em pleno espaço de inserir os nomes dos escolhidos. Seria como ter propaganda de político na urna. Segue esse ‘mercado’ e acredita quem quer”,afirmou Ban.

E vocês? O que acham do resultado deste ano?

felipe

Fonte: Dançar conforme a música: o vaivém de gêneros e artistas no Top100DJ da DJMag